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terça-feira, 13 de outubro de 2020

Mágoa desnecessária

Mágoa desnecessária

 

 

 

As relações humanas serão sempre pautadas pela dificuldade que trazemos na alma. E não poderia ser diferente.

 

Como somos seres em evolução, muito ainda há que se construir nas conquistas emocionais para que o equilíbrio, a justiça e a retidão sejam as ferramentas no relacionamento humano.

 

Não é raro indivíduos que, desgastados pelos embates humanos, cansados das dificuldades de relacionamento, alegam preferir viver isolados do mundo, sem a necessidade de suportar a uns e agüentar a outros.

 

O raciocínio se torna quase que natural, frente a tantos esforços que temos que empreender tanta paciência a exercitar, no trato com o semelhante.

 

E não são poucos aqueles que se isolam do mundo. Seja buscando uma vida de eremita, fechando-se em seu lar ou isolando-se em essa ou aquela instituição. Esses buscam a paz que não encontravam nas relações sociais e familiares.

 

Muito embora assim o façam imbuídos, por vezes, das mais nobres intenções, esquecem-se de que, ao isolar-se, ao fugir da sociedade, perdem a grande chance do aprendizado da convivência.

 

Somente nos atritos que vivemos é que vamos encontrar a chance do amadurecimento das experiências, de crescer, de superar aos poucos os próprios limites de interação social.

 

Somos todos indivíduos criados para viver em conjunto e a vida solitária somente nos causaria graves seqüelas à vida emocional e psicológica.

 

É na experiência de viver com os outros que a alma tem a possibilidade de conhecer diversas formas de aflições e exemplos inesquecíveis.

 

É natural que nossas relações não sejam sempre pautadas pela harmonia. São nossos valores íntimos que determinam os entrechoques que, não raro, vivenciamos, ou os envolvimentos afetivos de qualidade, que usufruímos.

 

Como ainda não nos acostumamos a viver em estabilidade íntima por longos períodos de tempo, vez ou outra surgem dificuldades, problemas, indisposições variadas em nossos relacionamentos.

 

Pensando assim, pode-se concluir o quanto é desnecessário e improdutivo viver-se carregando no íntimo mágoas e malquerenças.

 

Ninguém há no planeta que não se aborreça quando recebe do outro o que não gostaria de receber. No entanto, não podemos esquecer que ninguém também pode afirmar que, com seu modo de falar, de ser e de agir, não cause aborrecimentos e mágoas a outras pessoas, ainda que involuntariamente.

 

Desta forma, cabem a cada um de nós procurarmos resolver mal-entendidos, chateações e mágoas com os recursos disponíveis do diálogo, do entendimento, da desculpa e do perdão. Afinal, se outros nos magoam de nossa parte também acabamos magoando a um e outro, algumas vezes.

 

Assim pensando, podemos concluir ser uma grande perda de tempo e um sofrimento dispensável o armazenamento de sentimentos como a mágoa ou a raiva no coração.

 

Há tanto a se realizar de bom e de útil a cada dia, e o tempo está tão apressado, que perde totalmente o sentido alimentarmos mágoa na alma, qualquer que seja a intensidade.

 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

HÁ SONHOS QUE OS OBSTÁCULOS TRAVAM


HÁ SONHOS QUE OS OBSTÁCULOS TRAVAM 

Às vezes, somos tomados por uma frase. Há muitos anos, na direção de um programa de pós-graduação, dei uma bolsa de estudos para um aluno (homem feito perto da meia idade) que não podia pagar. 
Para me agradecer, ele comentou: -
- Você está realizando o sonho da minha vida. Nunca esqueci a frase, dita com sinceridade regada por lágrimas.
 Às vezes, temos sonhos que nós mesmos podemos realizar. 
Há sonhos, porém, que os obstáculos travam, até encontrarmos alguém que tire a árvore tombada à frente do nosso projeto. Quando deixamos por um pouco o nosso carro e nos juntamos a um amigo ou desconhecido para ajudá-lo a retirar o obstáculo da sua estrada, nós nos tornamos parte da sua história. 
Se visitamos os escaninhos de nossa memória, anotaremos os que fizeram isto conosco, alguns até pagando altos preços. 
Bom será que em nossa contabilidade também tenhamos, para contar, histórias que ajudamos a construir. 
É muito bom contribuir para que os desejos dos outros se tornem concretos.
 Isto acontece quando, tomando conhecimento dos sonhos dos outros, nós os tomamos para nós.
 (Autor não divulgado)