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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Tua alma não é grande nem pequena, é o que é

Tua alma não é grande nem pequena, é o que é.
   Por isso, não tens obrigação de ser sempre superior, estar na crista da onda, pois de tanto esforço que fizeres nesse sentido corres o risco de amesquinhar-te e te tornares menor do que és.
   Tu tampouco tens obrigação de te apequenares mediante uma humildade hipócrita, que ocultaria a certeza de seres superior aos semelhantes, que nem considerarias que semelhantes fossem, mas diferentes mesmo.
      Tua alma não é grande nem pequena, tua alma é independente, não tem cor de pele, não professa nenhuma religião, não é feminina nem masculina nem sequer se interessa por quaisquer inclinações sexuais, tua alma é aquilo que em ti é capaz de tudo, é um coringa, útil a qualquer momento e diante de qualquer tipo de situação.
    Tua alma é o Universo inteiro e só uma parte desse.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Existe uma religião invisível

Existe uma religião invisível...sem templos edificados, sem homens consagrados, sem ritos à cumprir...
Existe uma religião marginal...assim mesmo, à margem do trivial, à margem do aceitável, na sarjeta das devoções aplaudidas...
Uma religião sem dogmas, sem credo nem cartilha.
Religião dessacralizada, maltrapilha...
Fé que escorre na chuva, no pranto, na rua...
Fé que envolve minha alma e tua.
Que pia nos telhados, sopra e desmancha o penteado, se esgueira feito gato, nos olhando...
Ressabiado.
Fé que acolhe sem perguntas, sem obsessão pelo pecado.
Que brota da terra, perfumando e quebrando os ódios...
Que é toda só amor, sem culpas, sem tribunais.
Fé que quem descobre ter, parece ter endoidado...
Vê Deus em tudo, em todos, em cada centímetro desse traçado...
Esse traçado tão longo, tão puro e tão desvirtuado...
Que é a vida, esse caminho sagrado.
Que não se trilha sozinho...
E se tem que compartilhado, que seja na paz.
Religião sem prosélitos, flor que brota sem se aguar.
Fruto do bem divino, estendida a quem queira pegar.
Religião sem santo...
Sua doutrina aprendi, cantando no hinários dos grilos...
Nos ais da jornada de gente cansada...
Que ainda se arrisca a perceber encanto!
Na mão que afaga, ungida de compaixão...
É o cuidar, o simples cuidar, é essa a tal religião.
(Gi Stadnicki)