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quinta-feira, 17 de junho de 2021

Estranho tempo!

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Estranho Tempo


Estranho tempo em que temos tantos aparelhos para ganhar tempo,
e não temos tempo para contemplar o simples, o que é belo…

Estranho tempo em que pessoas decidem levar vantagens sobre as outras,
e dizem que se amam, que se respeitam…
rosinha
Estranho tempo onde a estação de frio tem calor, e na de calor esfria.
E as pessoas acham tudo lindo, de acordo com suas conveniências.

Estranho tempo onde as mentiras parecem verdades absolutas,
e muitas verdades já são consideradas mentiras.
rosinha
Estranho tempo onde se diz “eu te amo” com tanta facilidade,
que as vezes não dura dois cliques do velho mouse…

Estranho tempo onde ser feliz é “possuir”, é o “ter”,
até a dor nos visitar e lembrar-nos que é preciso “ser”.

Estranho tempo onde não conversámos, teclamos.
Já não fazemos amor, sensualizamos.
Já não nos beijamos apaixonadamente, trocamos de boca.
Já não temos tempo para um banho demorado, nos lavamos.
rosinha
E no meio de tantos desencontros, almas aflitas gritam,
no meio da depressão que nos consome, buscam carinho.
Carinho que se perdeu na troca fria de mensagens,
que hoje já não valem mais nada.

Estranho tempo, onde temos saudades do que ainda não vivemos.

 

(Paulo Roberto Gaefke)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Lembranças...lembranças...

Lembranças...lembranças...
Corro para a sacada e os olhos a se deparar com a imensidão dos oceanos,
a brisa que roça minha pele e as estrelas a despontarem
Ah, nesta noite de solidão procuro com meus olhos você,
que perdi em uma tarde cinzenta marcada pela incoerência e pela vergonha...
Agora, procuro-te entre as estrelas tentando sentir-me pertinho de ti.
Agarro nossa toalha e ainda sinto o cheiro de nossos corpos
lanço-me aos lençóis e sinto o calor de teu beijo...
Roço as flores e sinto tua pele ao redor,
teu cheiro toma conta de tudo!
Teus lábios sedentos pelo encontro dos meus
cada noite que juntos construímos nossos sonhos
projetamos nosso futuro, unidos um ao outro como um só...
Aquela força que advinha de nossas almas
entrelaçava o medo
derrotava a dor
gritava: somos fortes e daí!
A união de almas que por séculos se perderam
encontrando e fazendo em torno de si o arco-íris puro
de um amor que mesmo após o túmulo não seria vencido...
Agora, me recolho entre meu mundo,
minhas lembranças...
Enfrentando a noite fria, a madrugada misteriosa,
o silêncio que toma tudo...
Enfim,
agora, só lembranças...