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sábado, 6 de abril de 2019

Deixei meu coração no modo avião

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Deixei meu coração em modo avião. Hoje não quero criar expectativas, controlar o que não posso, me culpar por aquilo que não depende só de mim. Desisto de procurar sinais nas entrelinhas, esperar reciprocidade, exigir respostas. Quero a paz de não saber tudo, a tranquilidade de não controlar quase nada, a bonança de não sofrer por antecipação, a calmaria de não esperar nada de ninguém além de mim mesma. Deixei meu coração em modo avião. Vou parar de cutucar minhas feridas, jogar fora os excessos de minhas gavetas, ocupar os lugares que guardei para quem não quis seguir viagem ao meu lado. Vou tomar chá de amnésia e sumiço, ensaboar a alma com perfume de oceano e deixar a água levar o que entristece e empobrece. Vou tirar meus sapatos, deixar morrer algumas saudades, ficar confortável na minha solidão. Vou abandonar meus julgamentos e deduções, fugir das comparações, descomplicar minha tristeza e firmar pactos com a leveza. Vou exigir senha da melancolia e fugir da fila da nostalgia. Vou assumir um compromisso com a serenidade e aquietar o som da goteira da imaturidade. Deixei meu coração em modo avião. Hoje quero me despedir das dores que de tão presentes viraram amigas, das mágoas que perderam o prazo de validade, dos pesos desnecessários que atrasaram minha marcha. Quero me vestir de perdão, absolver as causas dos meus tropeços, arejar meus ressentimentos, libertar minha culpa. Quero tecer momentos de simplicidade, bordar auto-gentilezas, pescar coragens. Quero ter a ousadia de me ouvir com zelo, ser generosa com meus anseios e cuidadosa com meus receios. Quero ser surpreendida em momentos de pouca expectativa, e ser pega de surpresa com um riso farto que estava guardado na minha barriga. Quero borboletas no estômago, vagalumes no olhar e joaninhas embaraçando meu caminhar. Quero ser jardineira de harmonias e semear poesia de Manoel de Barros sob a luz do sol do meio dia. Quero beber doçuras do silêncio, fotografar melodias da tranquilidade e construir abrigos de simplicidade. Deixei meu coração em modo avião e descobri que prezo mais um teto feito de estrelas que um céu cheio de preocupações; uma companhia simples e verdadeira pra rachar uma pizza que um jantar sofisticado ao lado de gente ranzinza; um vestido de chita cheio de poesia que um longo Dior ofuscado de idolatria. Depois de manter por tanto tempo meu coração em modo avião, revi minhas prioridades. Já não funciono mais no compasso das esperas, mas aprendi a valorizar o que tem vocação de eternidade, o que apascenta minha alma e acalenta meu espírito. Tenho pressa de ser feliz e preguiça de sofrer por miudezas. Desejo bagagens leves, com rodinhas ultradeslizantes, e todos os dias escolho a mim mesma, sem máscaras, fingimentos, disfarces ou ilusões. Escolho a mim mesma com todas as dificuldades e imperfeições, com todas as certezas e divagações, com todas as coragens e aversões. E então, recuperado o auto-respeito, tirei meu coração do modo avião. Hoje sei que não preciso me esconder para ser feliz, mas aprendi a reconhecer onde posso e devo me demorar. E resolvi me demorar no cheiro dos livros, na visão da roda-gigante iluminada que me lembra a própria vida, no som de uma conversa amiga, no gosto conhecido de uma receita antiga. Sem pressa, sem corridas, sem cobranças. Apenas pelo prazer de estar na vida que escolhi, uma vida vestida de sorrisos, buscadora de motivos que curem, apascentem e aquietem o coração…

terça-feira, 11 de julho de 2017

Saber valorizar a vida

Se tudo na vida fosse somente alegria as pessoas não daria valor a felicidade.
À vezes é preciso chorar para sabermos o quanto é bom sorrir, é preciso sentir saudades ,para saber o quanto gostamos de alguém , quando temos tudo  nada parece ter valor .A vida é um antes, um durante e depois. Por isso  viva hoje, esqueça o ontem e deixa Deus decidir o amanhã!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

PACTO COM A FELICIDADE


PACTO COM A FELICIDADE 

 De hoje em diante todos os dias ao acordar, direi : 
 Eu hoje vou ser Feliz ! 
 Vou lembrar de agradecer o sol pelo seu calor e luminosidade, sentirei que estou vivendo, respirando. 
 Posso desfrutar de todos os recursos da natureza gratuitamente. Não preciso comprar o canto dos pássaros, nem o murmúrio das ondas do mar. Lembrarei de sentir a beleza das árvores, das flores. Vou sorrir mais, sempre que puder. 
 Vou cultivar mais amizades e neutralizar as inimizades. 
Não vou julgar os atos dos meus semelhantes ou companheiros. Vou aprimorar os meus.
 Lembrarei de ligar para alguém para dizer que estou com saudades! 
 Reservarei minutos de silêncio, para ter a oportunidade de ouvir. Não vou lamentar nem amargar as injustiças. 
 Vou pensar no que posso fazer para diminuir seus efeitos. 
Terei sempre em mente que um minuto passado, não volta mais, vou viver todos os minutos proveitosamente. 
 Não vou sofrer por antecipação prevendo futuros incertos, nem com atraso, lembrando de coisas sobre as quais não tenho mais ação.
 Não vou pensar no que não tenho e gostaria de ter, mas em como posso ser feliz com o que possuo. 
E o maior bem que possuo é a própria vida. 
 Vou lembrar de ler uma poesia e de ouvir uma canção, vou dedicá-las a alguém. 
Vou fazer alguma coisa para alguém, sem esperar nada em troca, apenas pelo prazer de ver alguém sorrir. 
 Vou lembrar que existe alguém que me quer bem, vou dedicar uns minutos de pensamentos para os que já se foram para que saibam que serão sempre uma doce lembrança, até que venhamos a nos encontrar outra vez. 
 Vou procurar um pouco de alegria para alguém, especialmente quando sentir que a tristeza e o desânimo quererem se aproximar. 
 E quando a noite chegar, vou olhar o céu, para as estrelas, para o luar e agradecer a Deus, porque hoje eu fui Feliz!

 *Carlos Drummond de Andrade*

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Charlie Chaplin - A Vida

A Vida
Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituivéis
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas
quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.
Já abracei prá proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos, amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
quebrei a cara muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de saudade
e tive medo de perder alguém especial
(e acabei perdendo).
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida ...
E você também não deveria passar! Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é muito prá ser insignificante ...

Charlie Chaplin