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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

As duas faces

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Afirma-se que um famoso pintor do Renascimento, quando pintava um quadro sobre o Menino Jesus, após conceber e fazer os primeiros estudos procurou uma criança que lhe servisse de modelo para a face do Mestre, na infância.

Procurou em muitos lugares até encontrar um pequenino sujo, que brincava nas ruas. O menino retratava no olhar e na face toda a pureza, bondade, beleza e ternura que se podia conceber.

Explicou-lhe o que desejava e, ante a autorização da família, levou-o para posar no seu atelier, retribuindo-lhe o trabalho com expressiva soma em moedas de ouro.

Anos depois, o artista desejou pintar outro quadro. Dessa vez iria retratar Judas. E saiu em busca de alguém que pudesse lhe oferecer o rosto do traidor.

Em mercados e praças públicas, tavernas e antros de costumes perniciosos por onde esteve à procura, não encontrou ninguém que se assemelhasse, em aparência, ao discípulo equivocado.

Já havia desanimado de procurar e pensava em desistir, quando, visitando uma taberna de má qualidade, se deparou com um delinqüente embriagado, em cujo olhar e semblante se encontravam os conflitos do traidor, conforme a concepção que dele fazia.

A barba endurecida, a cabeleira mal cuidada era a moldura para o olhar inquieto, desconfiado, num rosto contorcido pelo desconforto íntimo, formando um conjunto de dor e revolta, insegurança e arrependimento ímpares.

Comovido com o fato, o artista convidou aquele homem para posar, ao que ele respondeu que só faria sob a condição de boa recompensa financeira.

O pintor começou a obra e percebeu, após algumas sessões, que a face congestionada daquele homem se modificava a cada dia, perdendo a agressividade e a perturbação.

Um dia resolveu perguntar ao modelo o porquê de tal transformação, ao que ele, um tanto melancólico, respondeu:

Posando nesta sala, recordo-me que há alguns anos, eu servi ao senhor de modelo para a face do Menino Jesus...

Eu sou aquele garoto em cujo rosto o senhor encontrou a paz e a beleza do justo traído...

O dinheiro que ganhei, em face da minha imaturidade, mais tarde pôs-me a perder e, de queda em queda, numa noite em que me embriaguei, por uma disputa insignificante matei outro homem.

Condenado num julgamento arbitrário envenenou-me de ódio...

Agora, pisando neste lugar outra vez, recordo daquele tempo e retorno, emocionalmente, a ele, e me acalmo...

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Inimigo

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Dizem que nosso inimigo é nosso melhor mestre. Ao estar com um mestre podemos aprender a importância da paciência, o controle e a tolerância, mas não temos a oportunidade real de exercitá-la. A verdadeira prática surge quando nos deparamos com um inimigo.
—  Dalai Lama

quinta-feira, 1 de março de 2012

A BICICLETA DE DEUS


A bicicleta de Deus 

Em uma noite quente de verão tardio, um jovem foi falar com um velho sábio: 
- "Mestre, como posso ter certeza que eu estou gastando minha vida direito? Como posso ter certeza de que tudo que faço é o que Deus me pede para fazer?" 
 O velho sábio sorriu satisfeito e disse: - "Uma noite eu fui dormir com o coração muito aflito, eu estava tentando, sem sucesso, de responder a essas perguntas, foi então, que eu tive um sonho... Sonhei uma bicicleta com dois selins. 
Vi que a minha vida era como uma corrida de bicicleta para duas pessoas: Uma bicicleta tandem.
 E vi que Deus estava sentado no selim atrás de mim e me ajudava a pedalar... 
 Mas aconteceu que Deus me disse para trocar de lugar, eu concordei...
 Mas a partir desse momento a minha vida nunca mais foi a mesma. Deus tinha transformado a minha vida feliz e emocionante. 
 Mas, o que aconteceu desde que trocamos de lugar? 
 Percebi que quando eu estava dirigindo, eu sabia o caminho. 
E tudo era descontado, chato e previsível.
 Mas quando Deus começou a guiar, tudo era diferente... 
Ele conhecia lindos atalhos, subindo as montanhas, por lugares rochosos em alta velocidade... 
Eu continuava sentado no selim... Tudo era maravilhoso!!! 
 O vento no rosto e Deus que continuava a dizer: 'Pedala, pedala!' Às vezes me preocupei e quando fiquei ansioso perguntei: 
- 'Senhor, mas para onde estás me levando?' Ele apenas sorriu e não respondeu. 
 Entretanto, eu não sei como, comecei a confiar. 
 Logo eu esqueci da minha vida 'chata' e entrei na aventura. 
 E quando eu dizia: 'Senhor, estou com medo ...', Ele se voltava para trás, tocava a minha mão e imediatamente uma grande serenidade substituia o medo. 
 Ele me levou da pessoas com dons de que eu precisava, presentes de aceitação, cura e alegrias. 
 Deram seus presentes para levar comigo ao longo do caminho. 
 A minha viagem, ou seja, de Deus e minha. 
E partimos. 
 Deus me disse: - 'Entregue os presentes, são bagagem a mais, muito peso'. 
 Então, comecei a doar os presentes às pessoas que encontravamos e percebi que em dar presentes era eu que recebia e o nosso fardo era mais leve. 
 No começo eu não confiava nEle, no comando da minha vida. Pensei que levaria ao desastre.
 Mas Ele conhecia os segredos da bicicleta, sabia como incliná-la para lidar com curvas fechadas, pular para superar lugares cheios de pedras, voar para encurtar os caminhos difíceis. 
 E eu estou aprendendo a ficar calado e a pedalar nos lugares mais estranhos e eu começo a apreciar o panorama ao redor e a brisa fresca no rosto com um maravilhoso companheiro de viagem: meu Deus. 
 E quando eu tenho certeza de nao aguentar mais para prosseguir em frente, nao consigo avançar Ele apenas sorri e diz: 
- 'Não se preocupe, EU guio, você pedala!' 
" É uma história que nos encoraja ao abandono confiante nos braços de Deus. 
 A vida é como pedalar uma bicicleta: voce só cai se parar de pedalar.