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terça-feira, 13 de outubro de 2020

Quem de nós é o maior?

Quem de nós é o maior?

 

 

 

 

Jesus era possuidor de paciência e compreensão inigualáveis.

 

Ouvia as questões mais simples com atenção e, em cada oportunidade, deixava lições profundas, completas, que poderiam ser entendidas naquele momento, bem como servirem aos séculos vindouros.

 

Certa feita escutou os discípulos discutindo entre eles, sobre qual seria o maior, o mais amado, o de importância mais significativa.

 

Todos reconhecemos que João é distinguido pelo vosso amor; Pedro é merecedor da mais expressiva confiança; Judas guarda as moedas e se encarrega do controle das nossas modestas finanças... E os demais?

 

Que somos e que papel desempenhamos no grupo? Afinal, qual de nós é o maior?

 

Certamente se sentiram constrangidos pela disputa, mas como ela aconteceu, era justo serem honestos, libertando-se das dúvidas.

 

Jesus envolveu-os na luz da compaixão, e com a sabedoria habitual, respondeu-lhes:

 

O grão de mostarda, menor e mais insignificante que qualquer outra semente, reverdece com o mesmo tom o solo abençoado pelo trigo vigoroso.

 

O fruto do carvalho desenvolve a árvore grandiosa que nela jaz, assim como o pólen, quase invisível de todas as flores, se encarrega de transmitir beleza e perpetuar a espécie em outras plantas.

 

Todos são importantes na paisagem terrestre.

 

O grão de areia se anula ante outro para construir a praia imensa, que recebe o carinhoso movimento das ondas arrebentando-se no seu leito reluzente.

 

Tudo é importante diante de meu Pai, não pela grandeza, mas pelo significado de que cada coisa se reveste para a utilidade da vida.

 

*   *   *

 

Nos dias atuais, em que ainda tanto se faz questão de ser o melhor, o mais importante, o número um, precisamos refletir sobre as orientações do Cristo.

 

A competição desenfreada tem nos feito escravos do sucesso e das aparências.

 

A vaidade tem ditado as regras em todas as áreas, transformando algumas em mais importantes que outras, por questões puramente materialistas.

 

Julga-se a importância desta ou daquela atividade, por sua visibilidade na mídia, ou por sua remuneração material.

 

O mundo moderno e seus valores descabidos parece muito semelhante à conversa dos discípulos em torno de quem seria o mais amado.

 

Desejamos ser amados, desejamos preencher esta carência, este vazio existencial que nos incomoda tanto, mas não sabemos como.

 

Jesus já havia dado a resposta naqueles idos tempos...

 

Além de dizer que todos são importantes, disse ainda que entre os homens, o maior sempre seria aquele que se esquecesse de si mesmo, tornando-se o melhor servidor.

 

Seria aquele que não se cansasse de ajudar, de cooperar com os outros.

 

É sempre bom ouvir o Mestre, que permanece atual, que permanece nos esperando como Aquele que oferece o caminho da verdadeira vida.

 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Coisas de Deus

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Deus ainda fala com as pessoas?

Um jovem foi para o estudo da Bíblia numa noite de Quarta-feira.

O pastor dividiu entre ouvir a Deus e obedecer a palavra do Senhor.

O jovem não pode deixar de querer saber se “Deus ainda fala com as pessoas?”.

Após a pregação ele saiu para um café com os amigos e eles discutiram a mensagem.

De formas diversas eles falaram como Deus tinha conduzido suas vidas de maneiras diferentes.

Era aproximadamente 10 horas quando o jovem começou a dirigir-se para casa.

Sentado no seu carro, ele começou a pedir ” Deus! Se ainda falas com as pessoas, fale comigo. Eu irei ouvi-lo. Farei tudo para obedecê-lo”.
Enquanto dirigia pela rua principal da cidade, ele teve um pensamento muito estranho: “Pare e compre um galão de leite”. Ele balançou a cabeça e falou alto “Deus é o Senhor? “. Ele não obteve resposta e continuou dirigindo-se para casa.

Porém, novamente, surgiu o pensamento “compre um galão de leite”.

O jovem pensou em Samuel e como ele não reconheceu a voz de Deus, e como Samuel correu para Eli.

“Muito bem, Deus! No caso de ser o Senhor, eu comprarei o leite”.

Isso não parece ser um teste de obediência muito difícil. Ele poderia também usar o leite. O jovem parou, comprou o leite e reiniciou o caminho de casa.
Quando ele passava pela sétima rua, novamente ele sentiu um pedido “Vire naquela rua”. Isso é loucura, pensou e, passou direto pelo retorno.

Novamente ele sentiu que deveria ter virado na sétima rua. No retorno seguinte, ele virou e dirigiu-se pela sétima rua. Meio brincalhão, ele falou alto “Muito bem, Deus. Eu farei”. Ele passou por algumas quadras quando de repente sentiu que devia parar. Ele Brecou e olhou em volta. Era uma área misto de comércio e residência. Não era a melhor área, mas também não era a pior da vizinhança.

Os estabelecimentos estavam fechados e a maioria das casas estavam escuras, como se as pessoas já tivessem ido dormir, exceto uma do outro lado que estava acesa.

Novamente, ele sentiu algo, “Vá e dê o leite para as pessoas que estão naquela casa do outro lado da rua”. O jovem olhou a casa. Ele começou a abrir a porta, mas voltou a sentar-se. “Senhor, isso é loucura. Como posso ir para uma casa estranha no meio da noite?”.

Mais uma vez, ele sentiu que deveria ir e dar o leite.

Finalmente, ele abriu a porta, “Muito Bem, Deus, se é o Senhor, eu irei e entregarei o leite àquelas pessoas. Se o Senhor quer que eu pareça uma pessoa louca, muito bem. Eu quero ser obediente.

Acho que isso vai contar para alguma coisa, contudo, se eles não responderem imediatamente, eu vou embora daqui”.

Ele atravessou a rua e tocou a campainha. Ele pôde ouvir uma barulho vindo de dentro, parecido com o choro de uma criança. A voz de um homem soou alto:
“Quem está aí? O que você quer?”. A porta abriu-se antes que o Jovem pudesse fugir. Em pé, estava um homem vestido de jeans e camiseta.
Ele tinha um olhar estranho e não parecia feliz em ver um desconhecido em pé na sua soleira.
“O que é? “. O jovem entregou-lhe o galão de leite. “Comprei isto para vocês”. O homem pegou o leite e correu para dentro falando alto.

Depois, uma mulher passou pelo corredor carregando o leite e foi para a cozinha. O homem seguia-a segurando no braços uma criança que chorava.

Lágrimas corriam pela face do homem e, ele começou a falar, meio soluçando “Nós oramos. Tínhamos muitos contas para pagar este mês e o nosso dinheiro havia acabado.

Não tínhamos mais leite para o nosso bebê. Apenas orei e pedi a Deus que me mostrasse uma maneira de conseguir leite”. Sua esposa gritou lá da cozinha:

“Pedi a Deus para mandar um anjo com um pouco… Você é um anjo?

* jovem pegou a sua carteira e tirou todo dinheiro que havia nela e colocou-o na mão do homem.

Ele voltou-se e foi para o carro, enquanto as lágrimas corriam pela sua face. Ele experimentou que Deus ainda responde os pedidos

sábado, 5 de janeiro de 2019

Paciência - Lenine

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Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
A vida não para não

A vida é tão rara

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Inimigo

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Dizem que nosso inimigo é nosso melhor mestre. Ao estar com um mestre podemos aprender a importância da paciência, o controle e a tolerância, mas não temos a oportunidade real de exercitá-la. A verdadeira prática surge quando nos deparamos com um inimigo.
—  Dalai Lama

segunda-feira, 5 de março de 2018

Na aflição

UojSfi2LO95LN9ENKR-dAZLAB5XY8SU_Jm3axzviHoIxnk3V_wTsafxPuewJDLY8.jpgTem certas adversidades que a gente não entende o porque delas, certas dores que realmente não sabemos quando vão passar, mas acredite, é na nossa aflição, onde ninguém nos estende as mãos que o Senhor age, é na terra que nos oprime que ele nos honra, é na nossa paciência e confiança que ele decreta a nossa vitória. Sim, Ele não nos deixa só. Aguenta mais um pouco! Ele só esta te preparando. Não importa o quanto esteja sendo difícil, você será honrado, abençoado, exaltado por aquele que tem um compromisso com a sua vida. Tenha um bom dia.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Mágoa desnecessária

Mágoa desnecessária



As relações humanas serão sempre pautadas pela dificuldade que trazemos na alma. E não poderia ser diferente.

Como somos seres em evolução, muito ainda há que se construir nas conquistas emocionais para que o equilíbrio, a justiça e a retidão sejam as ferramentas no relacionamento humano.

Não é raro indivíduos que, desgastados pelos embates humanos, cansados das dificuldades de relacionamento, alegam preferir viver isolados do mundo, sem a necessidade de suportar a uns e agüentar a outros.

O raciocínio se torna quase que natural, frente a tantos esforços que temos que empreender tanta paciência a exercitar, no trato com o semelhante.

E não são poucos aqueles que se isolam do mundo. Seja buscando uma vida de eremita, fechando-se em seu lar ou isolando-se em essa ou aquela instituição. Esses buscam a paz que não encontravam nas relações sociais e familiares.

Muito embora assim o façam imbuídos, por vezes, das mais nobres intenções, esquecem-se de que, ao isolar-se, ao fugir da sociedade, perdem a grande chance do aprendizado da convivência.

Somente nos atritos que vivemos é que vamos encontrar a chance do amadurecimento das experiências, de crescer, de superar aos poucos os próprios limites de interação social.

Somos todos indivíduos criados para viver em conjunto e a vida solitária somente nos causaria graves seqüelas à vida emocional e psicológica.

É na experiência de viver com os outros que a alma tem a possibilidade de conhecer diversas formas de aflições e exemplos inesquecíveis.

É natural que nossas relações não sejam sempre pautadas pela harmonia. São nossos valores íntimos que determinam os entrechoques que, não raro, vivenciamos, ou os envolvimentos afetivos de qualidade, que usufruímos.

Como ainda não nos acostumamos a viver em estabilidade íntima por longos períodos de tempo, vez ou outra surgem dificuldades, problemas, indisposições variadas em nossos relacionamentos.

Pensando assim, pode-se concluir o quanto é desnecessário e improdutivo viver-se carregando no íntimo mágoas e malquerenças.

Ninguém há no planeta que não se aborreça quando recebe do outro o que não gostaria de receber. No entanto, não podemos esquecer que ninguém também pode afirmar que, com seu modo de falar, de ser e de agir, não cause aborrecimentos e mágoas a outras pessoas, ainda que involuntariamente.

Desta forma, cabem a cada um de nós procurarmos resolver mal-entendidos, chateações e mágoas com os recursos disponíveis do diálogo, do entendimento, da desculpa e do perdão. Afinal, se outros nos magoam de nossa parte também acabamos magoando a um e outro, algumas vezes.

Assim pensando, podemos concluir ser uma grande perda de tempo e um sofrimento dispensável o armazenamento de sentimentos como a mágoa ou a raiva no coração.

Há tanto a se realizar de bom e de útil a cada dia, e o tempo está tão apressado, que perde totalmente o sentido alimentarmos mágoa na alma, qualquer que seja a intensidade.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

JAPÃO


JAPÃO

 Por Monja Coen 


 Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro. 
 Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência. 
 Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada? 
 Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. 
 Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las. Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras. 
 A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. 
 A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. 
 Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros. 
 Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. 
 Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. 
 Cada qual se mantinha em sua área. 
 As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado. 
 Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos- mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água. Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte. 
 Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. 
 Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. 
 Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão. 
 Sumimasen é outra palavra chave. 
 Desculpe, sinto muito, com licença. 
Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. 
 Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasem. 
 Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. 
Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas. 
 O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. 
 Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto. Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. 
 As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais. Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que “somos um só povo e um só país”. 
 Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. 
 Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo. 
 Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente. Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. 
 O planeta tem seu próprio movimento e vida. 
 Estamos na superfície, na casquinha mais fina. 
 Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. 
 O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. 
E isso já é uma tarefa e tanto. 
 Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução. 
 Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março. Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar. 
 Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. 
E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. 
 Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. 
 Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas. 
 Mãos em prece (gassho) 
 Monja Coen